O ANJO DA CONFIANÇA – MENSAGEM DE NATAL 2021

L’ANGE DE LA CONFIANCE

Les relations familiales nous remettent pour ainsi dire collectivement à des troubles affectifs à des degrés plus ou moins élevés; le trouble affectif est un trouble du lien, parfois même une épouvante du lien…  Une difficulté à faire confiance, un sentiment plus ou moins voilé d’hostilité, une relation inconstante qui se tisse par à coup, une difficulté à établir des liens stables, confortables solides : on prend puis on jette, on casse, on se casse. Bien souvent car ces liens constants, positifs, réconfortants ont fait défaut lors de l’enfance pour x excellentes raisons, oui mais les parents ont échoué à tisser avec leurs enfants des liens heureux, solides : de dialogue, de franchise, de respect mutuel… Bien souvent car de façon Trans générationnelle cette confiance leur a fait défaut : parfois frappés, humiliés, accusés, délaissés, rejetés, abandonnés, ces parents peuvent, bien à leur dépens, répéter la sombre histoire des incompréhensions, des abus de pouvoir, de la méfiance et de la violence. L’enfant peut alors se réfugier dans un autre monde, un monde qui le permet de se re-lier à lui-même et aux autres par le biais d’une foi naïve qui croit que dieu, les dieux, les anges, vont pouvoir changer la donne qu’il n’a pas la force de changer par lui-même. Car il y a plutôt qu’à tendre l’autre joue, s’investir, s’impliquer dans le pseudo changement de parents blessés et blessants : des limites à mettre des distances à prendre : un certain recul qui permet à de mettre un terme à des liens pathologiques de type sadomasochistes. La solubilité du lien… Cela peut choquer mais si on veut briser la chaine des éducations hautement pathologiques, il faut commencer par balayer devant sa porte. De quelle nature sont mes liens à ma famille? Aux autres? À moi-même? Me fait on confiance? Suis-je apprécié, valorisé, reconnu… Ou au contraire je baigne dans la rancune, le ressentiment, les blessures. Oh tout cela est bien profond, bien complexe : mais le rôle de la foi est de nous inspirer mais pas de faire le job à notre place. Peindre l’ange de la confiance peut inspirer cet enfant blessé en moi, à puiser en son être la confiance nécessaire pour prendre les distances vis-à-vis des bourreaux réels ou imaginaires qui bloquent ma puissance d’aimer et d’être aimé. Mais il ne va rien résoudre pour moi sans moi le bel ange en carton ou en marbre. La psychanalyse est aussi l’art de la limite. La foi océanique et belle peut tourner aux mirages dans le désert amoureux ou l’on se trouve plongé. Aimer suppose aussi d’être aimé en retour, donner implique en recevoir, confier suppose d’être cru, il faut le courage de réécrire l’histoire pour que oui le cercle vicieux devienne cercle vertueux. C’est souvent long, douloureux, ardu : difficile liberté. Joyeux Noël…

Novembre 2021- Mar Thieriot Inédit

THE ANGEL OF TRUST

Family relationships put us collectively in emotional turmoil to a greater or lesser degree; emotional turmoil is a bonding disorder, sometimes even a bonding horror… A difficulty in trusting, a more or less veiled feeling of hostility, a difficulty in establishing stable, comfortable, solid bonds: we take and then we throw away, we break up, we break down. Very often because these constant, positive, comforting bonds were lacking during childhood for x excellent reasons, yes but the parents failed to weave with their children happy, solid links: of dialogue, of frankness, of mutual respect… Very often because in a trans-generational way this confidence failed them: sometimes struck, humiliated, accused, forsaken, rejected, abandoned, these parents can, well to their detriment, repeat the dark history of the misunderstandings, of the abuses of power, of the distrust and of the violence. The child can then take refuge in another world, a world that allows him to relate to himself and to others through a naive faith that believes that God, gods, angels, will be able to change the situation that he does not have the strength to change by himself. Because instead to invest, to imply itself in the pseudo change of wounded and hurtful parents: limits are to be putted, distances to be taken: a certain distance which allows to put an end to pathological bonds of sadomasochistic type. The solubility of the bond… This may shock you, but if you want to break the chain of highly pathological educations, you have to start by putting your own house in order. What is the nature of my links to my family? To others? To myself? Am I trusted? Am I appreciated, valued, recognized… Or am I bathed in resentment, distrust, wounds. Oh, all this is very deep, very complex: but the role of faith is to inspire us but not to do the job for us. Painting the angel of trust can inspire that wounded child in me to draw from his being the trust necessary to distance myself from the real or imagined tormentors that block my power to love and be loved. But it is not going to solve anything for me without me: the beautiful angel in cardboard or in marble. Psychoanalysis is also the art of the limit. The oceanic and beautiful faith can turn to mirages in the loving desert where one is plunged. To love also supposes to be loved in return, to give implies to receive, to entrust supposes to be believed, it is necessary the courage to rewrite the history so that yes the vicious circle becomes virtuous circle. It is often long, painful, arduous: difficult freedom. Merry Christmas…

November 2021- Mar Thieriot Unpublished

O ANJO DE CONFIANÇA

As relações familiares, por assim dizer, levam-nos coletivamente a transtornos afetivos em maior ou menor grau; o transtorno afetivo é uma perturbação do vínculo por vezes até um horror de vínculo… Uma dificuldade em confiar, um sentimento mais ou menos velado de hostilidade, uma relação inconstante que se tece de forma brusca, uma dificuldade em estabelecer laços estáveis, confortáveis, sólidos: tomamos e depois jogamos fora, quebramo-nos, separamo-nos. Muito frequentemente porque estes laços constantes, positivos e reconfortantes faltaram durante a infância por x excelentes razões, sim, mas os pais não conseguiram tecer com os seus filhos laços felizes e sólidos: de diálogo, de franqueza, de respeito mútuo… Muito frequentemente porque de uma forma transgeracional esta confiança lhes falhou: por vezes atingidos, humilhados, acusados, abandonados, rejeitados , estes pais podem, às suas próprias custas, repetir a história sombria de mal-entendidos, abusos de poder, desconfiança e violência. A criança pode então refugiar-se num outro mundo, um mundo que lhe permita relacionar-se consigo e com os outros através de uma fé ingénua que acredita que Deus, deuses, anjos, será capaz de mudar a situação de que não tem força para mudar por si próprio… Ora, ao invés de envolver-se na pseudo mudança de pais feridos e magoados  e dar a outra face: limites a estabelecer, distâncias a percorrer: uma certa distância que permite pôr fim aos laços patológicos do tipo sadomasoquista. A solubilidade o vinculo…Isto pode chocá-lo, mas se quiser quebrar a cadeia de educações altamente patológicas, tem de começar por pôr a sua própria casa em ordem. Qual é a natureza dos meus laços com a minha família? A outros? Para mim? Sou de confiança? Sou apreciado, valorizado, reconhecido… Ou estou a tomar banho de ressentimento, ressentimento, dor? Oh, tudo isto é muito profundo, muito complexo: mas o papel da fé é inspirar-nos, mas não fazer o trabalho por nós. Pintar o anjo de confiança pode inspirar aquela criança ferida em mim a tirar do seu ser a confiança necessária para me distanciar dos tormentos reais ou imaginários que bloqueiam o meu poder de amar e ser amado. Mas não resolve nada sem mim, o belo anjo feito de papelão ou mármore. A psicanálise é também a arte do limite. A fé oceânica e bela pode transformar-se em miragens no deserto do amor em que nos encontramos mergulhados. Amar também implica ser amado em troca, dar implica receber, confiar implica acreditar, é preciso ter a coragem de reescrever a história para que o círculo vicioso se torne um círculo virtuoso. É frequentemente longo, doloroso, árduo: liberdade difícil.

Novembro 2021- Mar Thieriot Inédito

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