Poetry: Maybe a door

Picture: Demetrios Papakostas

Picture: Demetrios Papakostas

 

Maybe a door

Mariana Thieriot Loisel 29-04-2014

There are mysterious passages, usually hidden to eyes, in every suffering
We have to go through: passages that lead to a colorful and silent word:
A soul art passage, maybe a door.
An open door to a landscape or a building,
until we finally reach a brown empty space or a white and grey refuge,
where joy is waiting,
An inviting us to come in.

A primavera na rede talvez: Bonsais na neve | Bonzaïs in the snow: maybe spring in the Net

Hiver du jardin de Chine

Hiver du jardin de Chine


 

 

 

 

 

 

 

A primavera talvez porque se as pessoas podem interagir,
No âmago de  uma formação reflexiva e transdisciplinar,
Permeada pelo diálogo intergeracional, sereno, transparente
E afetuoso sobre o sentido profundo dos saberes e saberes ser,
Teremos a oportunidade de presenciar o nascimento
de estruturas cooperativas como as redes de aprendência,
tendo por finalidade nossa evolução mútua.

A primavera, no entanto, talvez. Pois existe uma dúvida
Quanto a realidade e a efetividade da escolha possível,
E a partir dela, da vontade de trilhar, na sociedade atual,
O caminho  do diálogo filosófico, da ajuda aberta e mútua : uma
cooperação atenta e verdadeira,
porque existe sempre, calada e não intencional,
a tentação de se submeter a hierarquia
E aceitar a escravidão.
Existe sempre frente ao desconhecido, a desconfiança.
A exigência desmedida, o medo do desapontamento.

A primavera, ainda, talvez, pois apesar de condições sociais
Adversas desde sempre, a consciência humana resiste, atua, participa,
E se desenvolve no silêncio de sua interioridade,
Quando sabemos escutar sem invadir o que há de intimo e valioso
No ser que cada um de nós expressa.

A primavera continuando, talvez, pois todos hoje que não se identificam
Com as máquinas escolas, têm a possibilidade de atuar em aulas livres,
Nas quais as conversas espontâneas e o sentido compartilhado
Podem se inscrever no cotidiano, mesmo quando este cotidiano é invernal.

Bonsi fleuri

Bonsi fleuri

 

 

 

 

 

 

 

 

A primavera talvez pois mergulhando no conhecimento
Das sabedorias vindas das mais várias tradições culturais,
Nós encontraremos a constância necessária
Para atravessar as estações do frio a primavera e manter
O esforço da reflexão filosófica coletiva.

A primavera sem dúvida pois a transmissão cultural
Continua acontecendo desde os tempos mais remotos
Das mais inusitadas e belas formas e que por causa
Do pensamento transdisciplinar esta transmissão pode
se alargar a todas as disciplinas.

E antes que a luz acenda deixe-me lhe dizer,
Meu amigo solitário,
Minha parceira de aulas livres,
Que uma consciência azul desabrocha e pode sempre pode obrar.
Não há inverno que não finde ao contemplar um bonsai colorido,
As flores de nossos textos renascem em meio as pedras da dor,
Seremos uma outra manhã,
Uma primavera outonal,
Receberemos do céu revolto, no qual descansam os mortos,
Um esvoaçar de plumas e sementes de um futuro
Mais  propício,
E em meio a tempestade da luta para o direito a igualdade
Do pensar,
Seremos um riso que se prolonga,
E se as vezes choramos de cansaço,
Seremos no entanto, a imanência do afeto,
Em nossos passos silenciosos e obstinados
Que assinam esta primavera.

Mariana Thieriot Loisel, 9 de Dezembro de 2013.

Entrée du jardin chinois

Entrée du jardin chinois

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maybe spring because if people can interact,
Inside a transdisciplinary and meaningful process of knowing
And being,
If the dialogue in between generations can be clear, quiet and true,
We shall have the opportunity to see
The emergence of cooperative structures, as the learning net work,
And testify our mutual evolution.

However, spring maybe.
Because there is still a doubt about the reality of the possibility
Of choosing the philosophical path in our societies nowadays,
A path of openness and mutual listening and care: a cooperative path.
This doubt exists because there is always, in our background,
Hidden and silent,
The temptation of slavery, of the obedience to an unfair hierarchy,
As describes Mario Salimon movie: Hierarchy.
The temptation to avoid trusting the unknown,
The fear of being disappointed by free choices,
The exigency of perfection, the denial of discovery’s risk.

So, maybe spring, because in spite of the very hard social condition,
The human consciousness resists, acts, share with others,
And develops itself and its inner capacities,
When we are able to listen to one another,
Without invading the intimacy, and the precious expression of our being.

Maybe spring, I insist, because all those that do not identify
One another with the mechanical transmission and reproduction
Of the human knowledge, have the choice of free classes,
Were dialogue can happen, and so does evolution, and shared meaning.
Even if winter appears to last.

Bonsai fleuri

Bonsai fleuri

 

 

 

 

 

 

Maybe spring, also, because the ancient wisdom of the old civilisations still alive,
And has been transmitted, giving us the necessary patience,
To cross the cold weather until  the warm light emerges through a collective effort
Of walking in beauty in the philosophical path.

Spring with no doubt, my lonely fellow,
My companion of free classes.
There is always a blessing time for new and good ideas.
There is no winter that reach’s to its end on seeing a flourishing bonsai
The flowers of our words shall live instead our pain and sorrow.
We shall be a new morning,
A spring in winter,
Receiving from all our dead’s for a fair cause,
From a moved sky,
The seeds of a better future.
And it the middle of the tempest for the struggle
For the equal right to think from ourselves,
Will be an everlasting smile,
And even if we are tired and we cry sometimes,
We shall be the immanent affection,
And our obstinate steps,
Will write the story of that spring.

Mariana Thieriot Loisel 9 December 2014 Montreal, Canada.

Bonsai fleuri

Bonsai fleuri